Um sonho, só um.

15 02 2011

É difícil entrar numa excelente faculdade de medicina. Mais difícil ainda é entrar em uma excelente faculdade de medicina para desistir de uma vaga, que era sua. Seu nome tava lá. Um cheque, assine uns papéis e pronto, você se tornaria estudante de medicina. Não era isso que eu tinha sonhado a vida inteira?

Foi um ano difícil. Eu falei muito o ano inteiro de que fazer cursinho com o ensino médio era problema meu, eu que aguentasse a situação em que eu tinha me colocado, mas sem o cursinho eu não teria conseguido. Foi a melhor decisão que eu tomei. E ter chegado na segunda fase, ainda que tenha envolvido justiça, advogados e mandatos de segurança, já tinha sido muito pra mim. Em meados de julho, olhando a situação e vendo a de colegas no terceiro, quarto ano de cursinho, eu já tinha um sentimento que eu não passava nem na primeira fase.

Quando eu soube que tinha passado na Santa Casa, não vou mentir dizendo que achei um lixo e não fiquei feliz. Óbvio que fiquei, eu prestei Medicina no primeiro ano e entrei na 1a lista. Era minha 2a opção de curso, que seja, é uma conquista. E por 21 pessoas eu não entrei na Pinheiros – ou seja, na faculdade dos meus sonhos. É chegar muito perto. Agora eu me encontro na lista de espera, mas se rodarem 6 pessoas é muito, imagine 21. Tenho consciência disso.

Mas é, eu entrei no prédio da Santa Casa hoje pra desistir. Porque há um ano atrás eu desisti de inúmeras coisas e de oportunidades únicas pra correr atrás do meu único sonho, então eu acho que não dói desistir de uma excelente faculdade que não é meu sonho. Irrevogável o fato de que o valor da mensalidade – Santa Casa é uma instituição que embora use fuvest como vestibular, é paga – também ajuda na hora de decidir.  Percebi que eu iria me sentir derrotada todos os dias sendo uma estudante de medicina fora da faculdade dos meus sonhos. Algo que eu aprendi no esporte é que a dor de algumas coisas é temporária, mas quando você desiste de algo, dói pra sempre.

Por um único sonho eu abri mão do esporte, da dança, do teatro, da vida social. É inevitável. Sei que agora vai ser tudo mais fácil, menos complicado, menos corrido. Eu passei o ano inteiro tentando conciliar meu último ano (num colégio pelo qual sou apaixonada) com os estudos pro vestibular mais difícil do país. Não me arrependo de nenhuma das escolhas que eu fiz ano passado, mas sei que agora eu estou mais perto do meu sonho. Há um ano atrás eu entrei no cursinho e no terceiro ano do ensino médio com um sonho na cabeça. Entro esse ano no cursinho, com o mesmo sonho, só que mais forte. Consolidado.

Não quero falar que sou estudante de medicina. Quero falar que eu sou estudante de medicina da Pinheiros.





13 – Someone you wish could forgive you

31 01 2011

É ridículo, eu não tenho nem moral pra escrever pra você. Mas é, esta aqui sou eu engolindo o orgulho para falar, de uma vez por todas, que eu sinto muito por aquele dia, pelo fim.

E tudo o que eu pretendia dizer aqui, seria clichê e todo mundo já ouviu ou vai ouvir alguma vez na vida. Mais uma vez, me perdoe por não conseguir sair do lugar-comum. Eu poderia começar dizendo que eu errei muito e que eu era insolente, orgulhosa, arrogante, e que eu mudei. Mas aí eu teria de pedir desculpas mais uma vez, porque eu estaria mentindo. Eu não errei. Nós erramos. E eu continuo sendo insolente, orgulhosa (talvez agora um pouco menos) e arrogante. Eu não mudei tanto assim.

Sim, nós erramos. Nós, primeira pessoa do plural. Fazíamos tudo com uma sintonia tão forte que erramos juntos e não conseguimos perceber o erro a tempo de repará-lo. Os danos e as consequências de nossos erros, por sua vez, foram irreparáveis. Eu olho para o passado e só consigo pensar que eu poderia ter feito tudo diferente. Não chega a ser um arrependimento, mas sim uma curiosidade: como teria sido? Embora tudo não tenha sido culpa minha, um momento em que a minha consciência realmente pesa é ao saber que eu tinha o poder de evitar tudo o que aconteceu, e não o usei.

Também não sei explicar porque não o usei e, por não saber explicar, preocupo-me. Você sabe como odeio não ter as respostas. Posso me desculpar por não ter impedido as coisas de acontecerem, mas acredito que desculpas e arrependimento devem andar de mãos atadas e eu não tenho arrependimento. Portanto, minhas desculpas não seriam sinceras. As coisas foram melhor assim. A única coisa que realmente me entristece é saber que os seus olhos não me vêem do mesmo jeito de antes e que quando falam de mim, você finge não me conhecer. É saber que você ignora um pedaço da sua vida só porque eu estive presente nele, que eu consegui afetar uma vida de uma maneira tão negativa. E, por isso, eu peço desculpas. Eu imagino que você se lembre como o simples ato de reconhecer um erro é algo difícil pra mim.

E se eu escrevesse ‘Desculpe-me’ mil vezes, ainda sim eu não conseguiria expressar o quanto eu sinto muito. Deve existir algum lugar onde você tenha me perdoado e consiga ainda me olhar nos olhos, ou melhor ainda, onde nada disso tenha acontecido. Enquanto esse lugar não surge e o momento não é certo, fico com a sua imagem tocando Codinome Beija-Flor no piano, num fim de tarde qualquer que, inocentemente, ficou guardado comigo para sempre.

Continuo sonhando acordada. Continua sendo um jeito de não sentir dor.





15 – The person you miss the most.

14 01 2011
 

No primeiro dia do ano eu acordei e por um momento eu me senti com dez anos de idade de novo, achando que eu podia ligar para você e dizer ‘então, você vem pra cá ou eu vou aí?’. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim – acho que não precisava ter ido na sua casa no dia anterior. Mas era costume, não era? Passar a virada de ano juntas.

Parece que faz anos desde que você se foi, e que eu era uma pessoa completamente diferente. Bom, isso é verdade. Realmente faz alguns anos e eu realmente era completamente diferente. Passei muito tempo tentando compreender porque isso tinha que ter acontecido justo comigo, porque eu tinha que ser a pessoa marcada para perder alguém tão cedo, de modo tão injusto. Às vezes eu penso que tudo seria tão diferente se nesses anos eu tivesse você comigo, mas depois eu reparo que muito do que eu aprendi só foi possível sem você. Não pense por um lado ruim, mas a ausência e a saudade ensinam muito melhor do que a alegria e a presença.

Enfrentei momentos de revolta, talvez por simplesmente não entender porque tinha acontecido ou por não ter feito nada – mas depois eu compreendo que eu não podia ter feito muito. Eu não tinha idade para entender ou ajudar. Quando eu fui entender, já era muito tarde. Mas a revolta, como tudo o que vinha de súbito, passava. E aí ficava a angústia. Hoje, já não tenho mais lágrimas. Óbvio que meus olhos se enchem delas, mas não chego a derramá-las.

Imagino você como um anjo, sabia? Pelo menos na hora em que sinto dor eu penso que de alguma forma você está segurando minha mão. E nas horas em que eu estou meio desesperada e sem saber como agir, eu tenho certeza que você está do meu lado querendo dizer que está ali. Eu sei disso. E agora depois de ter enfrentado tanta coisa e ter ganho um passado lamentável, tentei chegar o mais próximo possível da redenção e acabei descobrindo que a força surge principalmente nos momentos de fraqueza. E se eu pudesse te ver novamente, eu te diria que eu sinto falta de você quase todos os minutos, desde que você se foi. E que não foram poucas as vezes que imaginei como seria se você não tivesse ido embora.

 Nessa última visita que fiz à sua casa, vi seu quarto. Quero dizer, há muito tempo ele deixou de ter a cara do seu quarto, mas a cor da parede ainda é a mesma e a disposição dos móveis, semelhante. E quando o sol bate naquele prisma que sempre ficou do lado da janela, (aquele que a gente quebrou no meio uma vez, com uns seis anos de idade) o quarto inteiro ainda se enche de pequenos brilhos, que eu tenho certeza que são fragmentos do seu sorriso. Metade estão ali, naquele quarto. A outra metade brilha perto das estrelas, longe. Muito longe. Em um mundo que, pra você, é um eterno palco, aposto…





RCP

12 01 2011

Não era um quadro irreversível né, cmon… =D

 Primeiro dia de férias! Agora eu vou comemorar o Natal, o Ano Novo e dizer que, finalmente, 2010 acabou pra mim.

Me formei, vi a primeira parte de Harry Potter 7  no cinema, prestei Medicina em 3 grandes vestibulares do Brasil. Não foi de todo ruim, posso dizer.

Aguardo as listas da Unifesp (nem aguardo tanto assim) e da Fuvest. Unicamp não rolou, foram 2 pontos que talvez me avisaram que eu iria enlouquecer com mais 3 dias de prova. E agora…?

Depois de um ano de cursinho prestando medicina, você percebe que não é tão ruim quanto parece a necessidade de fazer outro ano de cursinho. Não é nada certo, mas não é uma possibilidade descartada. Agora quando tudo já foi e eu finalmente posso descansar, dá um vazio. O meu pensamento agora, no que tange a vestibular é: o que tiver de ser, será. Tudo o que estava ao meu alcance, esse ano, eu fiz. E posso dizer que o meu desempenho me deixou feliz. 

E agora, o blog volta! Se você reparar na barra de cima, tem outra página. Em ‘Cartas’ você pode encontrar um pouco de ficção e realidade. Mas como o próprio título já diz, são apenas cartas, não vá achando que é pessoal… =D 

É bom poder deitar de noite e ter aquele feeling de dever cumprido. Makes me happy. Alguém lá atrás já tinha me dito que não seria fácil, mas que valeria a pena





Coma induzido

1 08 2010

Não, não é o final. O coma nem sempre é o fim, né? Vamos fingir que isso aqui é só uma injeçãozinha para descanso do blog. Afinal, a partir de amanhã – 02 de agosto – meu segundo semestre começa oficialmente e aí toda atenção e toda dedicação é pouco. Logo, o blog entra em um leve coma.

Mas não é preocupante, afinal, tem dia e hora para acabar. E logo depois das provas de vestibular o blog volta com novidades – mais páginas e mais coisas a serem fuçadas. Além disso, um projeto que eu vi no blog da Brenda, o Quase-Normal, e eu curti bastante. São 30 cartas, cada uma a um destinatário que nem sempre é um ser vivo. Todas as idéias que eu tiver nesse meio tempo – são só quatro meses, tecnicamente – serão anotadas e depois devidamente postadas.

Mas afinal, só tenho a agradecer. Hoje o blog faz 7 meses de existência e já conta com mais de 1500 acessos. Pode não ser muito, mas já me faz imensamente feliz em saber que o que eu penso consegue atravessar algumas cabeças por aí. :D

See you guys soon, I’m gonna fight like hell.





Falsas promessas

24 07 2010

As promessas que nós fazemos deveriam ficar penduradas em nós. Visivelmente. Que nem em alguma propaganda que eu vi por aí, que o número do colesterol da pessoa ficava pendurado na cabeça dela. As promessas deveriam vir coladas em cada um, escritas em post its.

Desde quando o bem material virou meio de contrato? Desde quando pessoas podem ser compradas? O ser humano não é mercadoria. Não é questão de quanto vale. Simplesmente não vale. Não é algo para ser comprado ou vendido. É um ser humano.

E é tão ser humano, que tem a confiança como virtude e ao mesmo tempo como fraqueza. Alguns podem não ter a memória aguçada, mas, os que têm, guardam as promessas como contratos. E sim, a palavra de um indivíduo ganha a qualificação de contrato. E não o dinheiro ou um bem material. Quando algo que nos agrada é dito, nós acreditamos. Talvez seja uma mania humana de auto-ilusão, ou uma tentativa desesperada de acreditar no improvável.

Ignorar uma promessa é quase impossível. Se você se lembra, o máximo que você consegue, depois de um tempo, é se conformar. Afirmando para si mesmo que é normal. O que é normal? Mentir, sair dizendo coisas em vão, sem fundamento e sem pretensões? Não é normal. Normal é agir de verdade, ter consciência de suas capacidades e até onde suas promessas podem ir.

Não entendo qual a finalidade de proferir palavras que jamais se tornarão ações. Sabe aquela coisa que vivem dizendo por aí?  ‘Nunca diga eu te amo se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida se pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se quiser vê-los derramar lágrimas por ti. O mais cruel que você pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.’. Eu acho muito real, mas que tal estender esse conceito para outros aspectos da vida?

Já disse milhões de vezes que creio na força das palavras. E se um simples ‘eu prometo’ foi dito, ele deve ser cumprido.





Que nada nos defina.

12 07 2010

Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.
(Simone de Beauvoir)

Quero liberdade. Para gritar, para dizer o que eu acho e o que eu penso sem  o mundo olhar estranho. Não quero olhares de pena, olhares de interrogação ou olhares de falso moralismo. Não quero hipocrisia. Quero sentir o sol na pele, a liberdade. Só a liberdade.

Fazer o que for de meu agrado, andar com pessoas parecidas comigo na ideologia, que se preocupem com coisas de importância maior do que o próprio umbigo. Posso não ter nascido para a preocupação social, mas não a larguei de todo. Gente que sabe valorizar o que tem, gente que busca os sonhos incessantemente. Defender as coisas nas quais acredito, amar quem eu ache que deva amar. Contanto que eu não prejudique ninguém. Normalmente não prejudica e, se prejudica, é intencional. Afinal eu também erro e provoco erros. Eu também não tenho moral para pedir o bem para a humanidade.

Quero poder me contradizer, sorrir quando bem entender, quero que respeitem o meu silêncio, a minha vontade de que ninguém me tire os pés do chão – eu quero fazer isso sozinha.  Quero escolher não me envolver, por enquanto, em aventuras cujo caminho eu desconheço. Quero a certeza, mas ao mesmo tempo quero a liberdade. Liberdade de escolha, de vida. Não me prenda, não me pressione. Quero liberdade na consciência, nos pensamentos, nas atitudes.  Não quero contratos, promessas, presentes. Quero ter o mundo em minhas mãos e ao mesmo tempo não quero nada.

Eu posso estar sozinha, mas sei muito bem para onde vou.

Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar.

(Che Guevara)








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