Diga para as pessoas que você sabe cálculo diferencial e não está prestando nenhum curso na área de exatas. Diga que você presta Medicina. Depois, diga que você aprendeu diferencial sozinha.
E aí vão te perguntar se você não tem mais o que fazer.
E aí, você responde que não, você não tem muito mais o que fazer. Quero dizer, até tem, mas e aí?
Sei cálculo diferencial, não me ajuda em quase nada, nem vai me ajudar. Provavelmente daqui a um tempo vou esquecer.
Resolvo um cubo mágico ou sudoku com tempo cronometrado. Queria uma cortina de banheiro com a tabela periódica e uma caneca em forma de béquer. Se eu tivesse um bichinho de estimação, o nome dele seria Einstein. Ou Newton. Tá bom, se fosse um gato laranja assim como eu sonho em ter, o nome seria Garfield mesmo.
Não sei se tudo isso é efeito desse tempo como vestibulanda ou se eu sempre fui assim. Mas quando eu era ginasta, eu era meio bitolada e ficava me esticando, treinando e dando meus pulinhos aleatoriamente, não só nos treinos. Naquela época eu já era nerd, talvez eu só fosse menos explícita. Acho que hoje as coisas pioraram porque eu estudo em tempo integral. (Integral? Derivada? Limites? Hã?)
Tenho um blog, falo besteira no twitter, discuto filosofia com não-filósofos, leio revistas científicas. Sou mais gente assim do que gente que tem a profundidade de uma colher de chá - e sim, sou fã de Harry Potter (poucos vão entender o elo nessa frase).
E ainda assim eu conheço gente muito mais nerd do que eu, porque eu nunca assisti Guerra nas Estrelas, nem Star Wars. Meu sonho não é ter um sabre de luz – se bem que é bonitinho! E, mesmo sem ter visto, sei que no Star Wars o som se propaga no vácuo, mas só lá mesmo, porque o som é uma onda mecânica e, na vida real, precisa de um meio material pra se propagar. Parei.
E é pra dizer de boca cheia, eu sou nerd e sou feliz.
#desabafo #postsemsentido #chutarobalde