Orgulho nerd

24 04 2011

Diga para as pessoas que você sabe cálculo diferencial e não está prestando nenhum curso na área de exatas. Diga que você presta Medicina. Depois, diga que você aprendeu diferencial sozinha.

E aí vão te perguntar se você não tem mais o que fazer.

E aí, você responde que não, você não tem muito mais o que fazer. Quero dizer, até tem, mas e aí?
Sei cálculo diferencial, não me ajuda em quase nada, nem vai me ajudar. Provavelmente daqui a um tempo vou esquecer.
Resolvo um cubo mágico ou sudoku com tempo cronometrado. Queria uma cortina de banheiro com a tabela periódica e uma caneca em forma de béquer. Se eu tivesse um bichinho de estimação, o nome dele seria Einstein. Ou Newton. Tá bom, se fosse um gato laranja assim como eu sonho em ter, o nome seria Garfield mesmo.

Não sei se tudo isso é efeito desse tempo como vestibulanda ou se eu sempre fui assim. Mas quando eu era ginasta, eu era meio bitolada e ficava me esticando, treinando e dando meus pulinhos aleatoriamente, não só nos treinos. Naquela época eu já era nerd, talvez eu só fosse menos explícita. Acho que hoje as coisas pioraram porque eu estudo em tempo integral. (Integral? Derivada? Limites? Hã?)

Tenho um blog, falo besteira no twitter, discuto filosofia com não-filósofos, leio revistas científicas. Sou mais gente assim do que gente que tem a profundidade de uma colher de chá - e sim, sou fã de Harry Potter (poucos vão entender o elo nessa frase). 

E ainda assim eu conheço gente muito mais nerd do que eu, porque eu nunca assisti Guerra nas Estrelas, nem Star Wars. Meu sonho não é ter um sabre de luz – se bem que é bonitinho! E, mesmo sem ter visto, sei que no Star Wars o som se propaga no vácuo, mas só lá mesmo, porque o som é uma onda mecânica e, na vida real, precisa de um meio material pra se propagar. Parei.

E é pra dizer de boca cheia, eu sou nerd e sou feliz.
#desabafo #postsemsentido #chutarobalde





Quando o tempo não é mais vilão

9 04 2011

Todo ser humano reclama do tempo. Diz que o dia deveria ter mais de 24 horas, que nós deveríamos necessitar menos do sono. Durante um ano inteiro eu também pensei assim. Antes desse um ano, não pensava. Nem agora.

Foi engraçado voltar pro cursinho. O primeiro dia foi horrível, não teve um minuto que eu não me perguntasse o que diabos eu tava fazendo ali. Esperando lista de aprovados rodar e sentada, de novo, no cursinho. A primeira semana chegou ao fim, coroada com um simulado, a lista rodou e eu não passei, mas também já não contava mais com isso. Cheguei até a me perguntar porque eu não fui para a Santa Casa logo de uma vez.

Mas na semana seguinte tudo melhorou. O tal do ‘Medicina Total’ começou, um reforço à tarde, 3x por semana. E aí logo de cara já surgiram assuntos bem pesados, diferente do curso normal. Logaritmos na segunda semana de cursinho já faz você se sentir bem melhor – por mais nerd que isso soe. É como alguém te dizendo ‘calma, eu sei que você sabe alguma coisa além de vetores e equações do 2o grau’. Para muita gente, o MT pesa, atrapalha. Para mim, é sinônimo de salvação.

Mas, afinal, o que eu fiz com o tempo ano passado? Comprimi. Tudo era corrido, tudo era sofrido. Almoçar correndo e tomar banho correndo eram regras. Todo o tempo livre seria dedicado aos estudos. Não me arrependo de maneira alguma. Porque agora o tempo não é comprimido e sim expandido. Um dia parece ter 30 horas. Finalmente, o tempo à minha disposição.

Difícil essa tática de pôr o tempo ao seu favor, conseguir controlar cada hora que passa. Caramba, como eu sofri pra aprender isso. Também aprendi que o tempo passa de uma forma diferente para cada um. Que as 30 horas que o dia parece ter para mim, para outra pessoa podem ser semelhantes a 30 minutos. Na época que a minha vida se resumia a uma escola e a um ginásio, o tempo era de meu controle. No ano em que eu prestei vestibular pela primeira vez, o tempo me controlava. Agora, o controle do tempo de volta.

E o tempo vai continuar passando diferentemente. É bom, finalmente, olhar para trás e ver que eu não fiz nada em vão.

E não se preocupem, estou reaprendendo a blogar. Por mais que o tempo esteja nas minhas mãos, a preguiça ainda existe. Às vezes eu acho que perdi o jeito, mas é só algo temporário.

And we’re back in the game!








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