1 – Your best friend.

24 02 2011

Esta carta tem três destinatárias. 

Vocês não imaginam o quanto é estranho e ao mesmo tempo engraçado acordar e saber que eu estou indo para um lugar onde eu não vejo vocês todos os dias. A parte engraçada é imaginar que vocês também acordaram (ah vá)  e também não estão indo para o mesmo lugar que eu. É saber que finalmente nossos caminhos se separaram e que a falta que eu sinto de vocês todos os dias é imensa. Digo finalmente porque é algo que seria inevitável.

Estranho é quando acontece algo e eu quero contar para vocês e eu tenho que pegar o telefone ou ir correndo para o msn. Eu não fazia isso com muita frequência, eu só esperava até a manhã seguinte. As 7 da manhã eu contaria para vocês. No máximo às 8, se a Nonô chegasse atrasada.

Vocês, que estiveram do meu lado quando eu dizia que precisava – e quando eu dizia que não precisava também. Que compartilharam dos meus sorrisos e colaboraram para que eles ocorressem, que me secaram as lágrimas e que me fizeram rir todos os dias nesses últimos cinco anos. Vocês, que dividiram responsabilidades comigo e irresponsabilidades também. Ok, a Lelê não divide irresponsabilidades, ela não tem idade pra isso.

Vocês fizeram parte das minhas vitórias e das minhas derrotas, sonharam junto comigo. E por mais que a Lu ache que ela não está correndo atrás do sonho dela, ela está sim. Só que de outro jeito, por um caminho diferente. A melhor coisa é saber que eu posso contar com vocês e vocês, comigo. Que os anos podem passar mas que esse sentimento que eu levo comigo não vai mudar. Só a saudade que aumenta e o tempo continua desviando-na do centro das atenções, é o natural.

Não sei onde estaremos daqui a cinco, dez, vinte, cinquenta anos. Mas sei que eu não me perderei de vocês. De algum jeito. O que seremos? Não sei. O que teremos? Não sei. Nada disso importa. Lembra no começo? Éramos quatro. Viramos três. Depois voltamos a ser em quatro. Quatro estranhas que se complementam e não se estranham. Quatro guerreiras, minhas quatro mosqueteiras, só com nomes mais bonitos que os dos mosqueteiros (Porque todo mundo sabe que os três mosqueteiros eram quatro).

Acho que não sei pôr em palavras tudo o que eu queria dizer a vocês, mas um eterno obrigada pode resumir – bem mal – tudo. Vocês merecem bem mais que isso, eu sei. Mas é tudo o que eu consigo por enquanto. Amo vocês.

E leões, eu não me esqueci de vocês.

Olhar para trás, após uma longa caminhada, pode fazer perder a noção da distância que percorremos. Mas, se nos detivermos em nossa imagem, quando a iniciamos e ao término, veremos o quanto nos custou chegar até o ponto final. Hoje temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos mais os mesmos, mas somos mais juntos. Sabemos mais uns dos outros. E é por esse motivo que dizer adeus se torna tão complicado. Diremos, então, que nada se perderá. Pelo menos dentro da gente… (Guimarães Rosa)





30 – Your reflection in the mirror / Sweet 18

19 02 2011


Tem uma garota baixa, morena, de cabelos cacheados e ela faz 18 anos hoje, estou a vê-la no espelho. Falaram para ela que aos 18 nada ia mudar. Mas além de poder tirar carta, beber, entrar em baladas e ser presa, algumas coisas mudaram sim.

 

Você continua com os mesmos amigos, porém não os vê mais todos os dias. Agora você sente saudade, muito mais do que sentia antes. Continua com a mesma luta, porém agora solidificada. Será que chegou a hora de crescer? (Não no tamanho, já que você vai continuar baixinha).

E você me ergue as sobrancelhas e pergunta ‘mas o que diabos é crescer?’

E eu te respondo que é sentir saudade e encarar as perdas sem derramar lágrimas. É saber levantar a cabeça e continuar lutando.

Crescer vem junto com o que você sentiu ao abraçar os seus melhores amigos meia noite na virada do seu aniversário e falar que sem eles, você não é ninguém e agradecê-los por estarem do seu lado.

É olhar pro passado e saber que tudo o que você fez não foi em vão e que hoje você é alguém feliz e capaz de suportar os infortúnios que vier. Porque você sabe que não vive em um conto de fadas e as infelicidades são inevitáveis.

É olhar pros seus pais e saber reconhecer o que eles fazem por você, saber que eles te fazem crescer todos os dias.

É ter amor próprio, praticar o desapego, não fazer as coisas sem um propósito, saber impor a sua vontade e ao mesmo tempo respeitar opiniões. Aprender aos poucos a pedir desculpas, reconhecer seus erros e mostrar às pessoas o quanto você se importa com elas.

Hoje você tem 18 anos e continua cheia de sonhos e imensamente feliz. O que você queria para você mesma aos 17 é a mesma coisa que você quer para você aos 18. Só que agora você quer também poder olhar para o futuro e ver que nele você chega onde quer e tem todas as pessoas que ama ao seu redor. E que isso te basta, pra vida inteira.

Sabe o que eu espero pra você?

Espero que os dias venham fáceis e os bons momentos passem devagar. Espero que as estradas te guiem onde você quer chegar. E quando você tiver que escolher algo, eu espero que você escolha o que signifique mais pra você. E se algum dia todas as portas se fecharem, espero que você continue andando até achar uma janela. E quando estiver frio lá fora, que você aqueça o mundo com o seu sorriso. Mas mais do que tudo isso, eu espero que sua vida se torne tudo aquilo que você quer. No seu caso inclui muito estudo, plantões intermináveis e noites mal dormidas, mas se é isso que você quer, é isso que eu desejo pra você. Quero que os seus sonhos permaneçam grandes e as suas preocupações, pequenas. Desejo que você nunca carregue mais do que consegue suportar e acima de tudo, que enquanto você estiver no mundo procurando o que te faz feliz, que você encontre alguém que te ame e queira as mesmas coisas que você. Espero que você nunca olhe para trás, mas que, ao mesmo tempo, não se esqueça de todos aqueles que te amam nos lugares em que você deixar. Desejo que você ajude uma pessoa a cada chance que tiver – sei que você vai fazer isso – e que você encontre a mão de Deus em cada erro que você cometer. Eles não serão em vão. É o que eu espero pra você.*

A garota do espelho que, no caso, é você, tá sorrindo. Eu também. E nós somos a mesma pessoa. Tudo o que eu espero para ela, eu espero para mim, porque nós somos a mesma pessoa.

Parabéns para mim! =D

*Adaptado de My Wish – Rascal Flatts





Um sonho, só um.

15 02 2011

É difícil entrar numa excelente faculdade de medicina. Mais difícil ainda é entrar em uma excelente faculdade de medicina para desistir de uma vaga, que era sua. Seu nome tava lá. Um cheque, assine uns papéis e pronto, você se tornaria estudante de medicina. Não era isso que eu tinha sonhado a vida inteira?

Foi um ano difícil. Eu falei muito o ano inteiro de que fazer cursinho com o ensino médio era problema meu, eu que aguentasse a situação em que eu tinha me colocado, mas sem o cursinho eu não teria conseguido. Foi a melhor decisão que eu tomei. E ter chegado na segunda fase, ainda que tenha envolvido justiça, advogados e mandatos de segurança, já tinha sido muito pra mim. Em meados de julho, olhando a situação e vendo a de colegas no terceiro, quarto ano de cursinho, eu já tinha um sentimento que eu não passava nem na primeira fase.

Quando eu soube que tinha passado na Santa Casa, não vou mentir dizendo que achei um lixo e não fiquei feliz. Óbvio que fiquei, eu prestei Medicina no primeiro ano e entrei na 1a lista. Era minha 2a opção de curso, que seja, é uma conquista. E por 21 pessoas eu não entrei na Pinheiros – ou seja, na faculdade dos meus sonhos. É chegar muito perto. Agora eu me encontro na lista de espera, mas se rodarem 6 pessoas é muito, imagine 21. Tenho consciência disso.

Mas é, eu entrei no prédio da Santa Casa hoje pra desistir. Porque há um ano atrás eu desisti de inúmeras coisas e de oportunidades únicas pra correr atrás do meu único sonho, então eu acho que não dói desistir de uma excelente faculdade que não é meu sonho. Irrevogável o fato de que o valor da mensalidade – Santa Casa é uma instituição que embora use fuvest como vestibular, é paga – também ajuda na hora de decidir.  Percebi que eu iria me sentir derrotada todos os dias sendo uma estudante de medicina fora da faculdade dos meus sonhos. Algo que eu aprendi no esporte é que a dor de algumas coisas é temporária, mas quando você desiste de algo, dói pra sempre.

Por um único sonho eu abri mão do esporte, da dança, do teatro, da vida social. É inevitável. Sei que agora vai ser tudo mais fácil, menos complicado, menos corrido. Eu passei o ano inteiro tentando conciliar meu último ano (num colégio pelo qual sou apaixonada) com os estudos pro vestibular mais difícil do país. Não me arrependo de nenhuma das escolhas que eu fiz ano passado, mas sei que agora eu estou mais perto do meu sonho. Há um ano atrás eu entrei no cursinho e no terceiro ano do ensino médio com um sonho na cabeça. Entro esse ano no cursinho, com o mesmo sonho, só que mais forte. Consolidado.

Não quero falar que sou estudante de medicina. Quero falar que eu sou estudante de medicina da Pinheiros.








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 953 other followers